Amor
a vida é mesmo um mistério
A gente nasce, e a infância é um lugar bonito, um jardim de margaridas sempre abertas, joaninhas que ora pousam no seu dedo, as descobertas, as sensações, o caminho imenso e toda a energia para seguir em frente.
Na adolescência a gente quer (se) descobrir, encontrar o amor em todos os cantos e viver cada pedaço dele.
A gente se torna adultos e começa a esquecer e a perguntar. A gente deixa de entender o pouco que achava que sabia. Um dia a gente ama. No outro deixa de amar. Um pouco mais de tempo e nem se pode explicar o que levou a uma coisa, nem a outra.
Mistério.
Vem a maternidade, o susto imenso de se perder na pequena criatura, melhor parte de si. Ninguém diz que não se nasce sabendo ser mãe, ninguém ensina, e nem adianta, porque não tem receita.
A gente segue acreditando que o amor é pra sempre, que tudo que a gente constrói é pra sempre. E, ainda assim, as coisas se corroem com o tempo.
E permanece a dúvida: fui eu? foi você? onde nos perdemos? será que algum dia nos encontramos? Estar sozinho, é bom? ruim? tem outro jeito?
Maternidade: um eterno desencontro entre eu e minhas certezas.
Uma única certeza: existe um amor maior que o mundo, maior do que si mesmo, maior do que qualquer caminho, qualquer escolha, maior do que qualquer precipício.
Uma montanha que vale a pena escalar. mesmo que não se chegue nunca a lugar algum.
Quinze anos. E parece que tudo começou outro dia mesmo, numa noite de lua cheia.
Tão bom saber que a vida é tanta coisa pra além do que somos, sonhamos, sentimos e ousamos. A vida é sempre um pouco mais do que parece suficiente para explicá-la.
A vida é um poema escrito às pressas, destinado a alguém que não ousamos escrever junto aos versos, na esperança de servir pra mais , por mais tempo . Ou para todo mundo.



